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23 de maio de 2012

Perestroika

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inguém nos disse para parar de procurar crescer. Ninguém nos disse que os apoios não iam ser concretizados e que, em alguns casos, iriam ser reduzidos para verbas insignificantes. 
 




 Perestroika , que em Russo, significa "reconstrução" ou "reestruturação", foi em conjunto com a Glasnost, uma das políticas introduzidas na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas por Mikhail Gorbachev, em 1985.
A última parte da palavra traz-nos más memórias. Quem não sente desconforto ao ler, citar ou ouvir falar na “Troika”. 

Por causa de uma gestão danosa dos dinheiros públicos, em que são exemplos, as situações do BPN e do Metropolitano do Porto, estamos todos sufocados. 

É o desemprego a crescer, as pequenas e médias empresas a fechar, o custo de vida a subir, a carga fiscal a pesar cada vez mais nos bolsos dos cidadãos, cortes e mais cortes, enfim…. 

Quando se pede um empréstimo, procura-se geralmente as melhores condições de pagamento, que garantam que conseguimos honrar os nossos compromissos, vivendo de uma forma digna. Aqui, em Portugal e na Madeira, propusemo-nos pagar a dívida, em 4-5 anos. 

Não teria sido possível, um prazo mais alargado? 

As medidas tomadas sufocam as instituições, levam as pessoas ao desespero.
Depois, pessoas a quem, certamente, as dificuldades passam ao lado, refugiam-se em Paris e noutros destinos enquanto outros têm a infelicidade de proferir afirmações como estas:
“ O desemprego é uma oportunidade para mudar de vida”.
“ A crise é uma bênção”.
“ O dinheiro da minha reforma (cerca de 10 mil euros mensais), quase de certeza, não vai chegar para pagar as minhas despesas”.

Não gozem connosco e do nosso sofrimento!

Por cá, as dificuldades alastram a áreas, em que não se devia falhar: Saúde e Educação.

Os exemplos são muitos e do conhecimento de todos.
Se até nestas áreas, de crucial importância não se consegue garantir as melhores condições, se falta o pão e o leite para enganar as carências alimentares, o que se poderá dizer sobre o Desporto?

A aposta no Desporto nunca poderá ser vista como um desperdício.
Há outras prioridades? Claro que sim!
Mas não podemos ignorar tudo o que a prática desportiva nos dá para o nosso Bem Estar, o seu contributo para a saúde e para a Formação.

Os apoios ao desporto tiveram ao longo destes anos, efeitos práticos positivos. Não pormenorizando as imensas conquistas de títulos colectivos e individuais, que muito prestigiam a região e que só por si, justificavam a aposta feita, o fundamental foi a orientação e formação dos jovens, ajudando-os a evitar outros caminhos desviantes.

Ao longo dos anos os clubes foram gerindo os recursos ao seu dispor, uns com muito, outros com pouco. Quando se tem muito, há a tendência para exageros, quem tem pouco, tem que fazer uma enorme “ginástica financeira” para promover actividades, honrar compromissos e procurar crescer.
Nos últimos anos foram feitos cortes nos apoios. Os clubes tiveram que viver com isso, gerir a situação.

A nova política prevista de apoios parece-me demasiado castradora.
O corte nos apoios ao Desporto, não pode ser assim, tão brusco e abrangente.
Os apoios contratualizados e os que ficaram por contratualizar ao longo destes últimos seis anos, que estão atrasados, têm que ser cumpridos.
Foram planificadas épocas desportivas nestes últimos anos, tendo por base a política de apoios que estava em vigor.

Os clubes foram vivendo com dificuldades, mesmo com os cortes e atrasos verificados, mas sobreviveram. Todavia, foram assumindo compromissos, que foram também eles, ficando sucessivamente adiados. Queremos honrá-los.

Ninguém nos disse para parar de procurar crescer. Ninguém nos disse que os apoios não iam ser concretizados e que, em alguns casos, iriam ser reduzidos para verbas insignificantes.
A desabituação de um paciente ao antibiótico, tem que ser feita de modo gradual, até o seu organismo conseguir viver sem a administração do medicamento.
Procedam-se a cortes, mas ponderados e graduais. E respeitem o anteriormente programado.

Entendemos as dificuldades que se vivem neste momento, estabeleçam-se então, prazos a médio prazo que garantam a regularização dos valores em falta.

Ser dirigente de um clube, ter que “ dar a cara”, ter que procurar verbas para financiar abastecimento e manutenção de viaturas, inscrição de atletas, para além de todas as despesas inerentes á logística desportiva, é uma tarefa demasiado ingrata.

O amadorismo dirigente só pode ser visto como paixão pelo clube!

Perestroika! Cabe também, agora aos clubes proceder à reestruturação.
A política do utilizador-pagador é válida, mas nem todos os pais poderão assumir mais uma despesa, mesmo que seja para a formação do seu filho.
A possível diminuição de participação em diferentes modalidades e escalões tem que ser equacionada, mas é preciso saber bem quais os apoios garantidos que estarão ao nosso dispor.

É certo, de que, se não fosse a atual conjuntura, tudo seria mais fácil, a política de apoio ao Desporto que tantos frutos proporcionou, manter-se-ia, embora com reajustamentos.

Estou convicto, de que, os clubes e no caso o Juventude de Gaula, saberá contornar dificuldades e adaptar-se às atuais circunstâncias.
Procurámos sempre gerir de forma equilibrada e responsável os poucos recursos de que tivemos ao nosso dispor.
Continuaremos a fazê-lo!

Mas é urgente a definição clara e objectiva dos apoios com que poderemos contar.

Juntos conseguiremos encontrar soluções, definir estratégias, traçar novos caminhos, estabelecer novos objectivos, que garantam a continuidade do trabalho da Formação dos nossos jovens.

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